A relevância do IndexFungorum na Taxonomia de Macrofungos
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Re: A relevância do IndexFungorum na Taxonomia de Macrofungos
@ Loco Gato:
As minhas reservas em relação ao I.F. mantêm-se e são apenas no que diz respeito ao que esta base de dados considera como 'Current Name' de algumas espécies. Consequentemente, mantenho tudo o que disse ao longo desta discussão no que diz respeito, estritamente, a esta questão. Não existe desconfiança em relação ao I.F. - tão somente entendo que não se pode nem se deve considerar o I.F. como a única fonte para a obtenção dos nomes válidos (ou actuais) das espécies. No entanto, e para que não restem dúvidas, volto a referir a extrema importância do I.F. como base de dados nomenclatural.
Quanto à questão Cantharellus, o ponto essencial não é a publicação do trabalho de Kuyper mas sim a apresentação no I.F. do epíteto 'Cantharellus aurora' como 'Current' há, no máximo, 1 ou 2 anos. Nessa altura já o último código (de Viena) estava em vigor e, por isso, parece-me incompreensível que o I.F. tenha apresentado como 'Current' um epíteto que, segundo as regras desse mesmo código, nunca poderia ser válido. Não sei se será caso único, mas foi um caso que eu detectei e do qual não tenho dúvidas, embora acredite que existam outras situações, o que não será de todo anormal, face à quantidade de informação com que lida o sr. Kirk. Por outras palavras, é normal que existam erros - e por isso é normal que seja necessária uma perspectiva crítica em relação ao I.F., que não pode ser encarado de forma dogmática.
@ *ento*loma*
Não partilho da tua opinião que o estabelecimento da obra de Fries como o ponto de partida para a nomenclatura dos fungos é um desrespeito pelos anteriores autores, pelas seguintes razões:
1 - Fries foi, antes de mais, um extraordinário sistemático e incorporou no seu trabalho a quase totalidade das publicações micológicas que existiam na sua época (lembro que estavamos no início do século XIX - não existia, obviamente, Internet, nem seria tão fácil como nos dias de hoje ter acesso a todas as obras publicadas). Evidentemente que alguns trabalhos não foram considerados - provavelmente por desconhecimento, o que não é de estranhar pois há obras que só hoje em dia (mais de dois séculos depois) estão a ser analisadas (como o prova a publicação de 'Cantharellus aurora' pelo Kuyper, com base numa obra de 1783).
2 - A razão essencial já foi referida por ti: a necessidade de estabilizar a nomenclatura. Se não fosse assim, assistiriamos a uma mudança permanente (para além de desnecessária e contraproducente) de vários nomes.
3 - Foi sobretudo com Fries que se deu um enorme salto em frente tanto na descrição pormenorizada e exaustiva das espécies como na ilustração técnica (tendo em atenção os aspectos relevantes para a identificação) - basta referir que as ilustrações constantes nos trabalhos de Fries foram supervisionados por ele próprio e não simplesmente atribuídos a um ilustrador que poderia fazer o seu trabalho com total liberdade (e não necessariamente com total rigor científico). Tenho sérias dúvidas que seja possível pegar em muitas das obras pré-friesianas e interpretar correctamente as descrições (muitas vezes sucintas e pouco claras) das espécies que lá constam ou as ilustrações que acompanham essas descrições.
As minhas reservas em relação ao I.F. mantêm-se e são apenas no que diz respeito ao que esta base de dados considera como 'Current Name' de algumas espécies. Consequentemente, mantenho tudo o que disse ao longo desta discussão no que diz respeito, estritamente, a esta questão. Não existe desconfiança em relação ao I.F. - tão somente entendo que não se pode nem se deve considerar o I.F. como a única fonte para a obtenção dos nomes válidos (ou actuais) das espécies. No entanto, e para que não restem dúvidas, volto a referir a extrema importância do I.F. como base de dados nomenclatural.
Quanto à questão Cantharellus, o ponto essencial não é a publicação do trabalho de Kuyper mas sim a apresentação no I.F. do epíteto 'Cantharellus aurora' como 'Current' há, no máximo, 1 ou 2 anos. Nessa altura já o último código (de Viena) estava em vigor e, por isso, parece-me incompreensível que o I.F. tenha apresentado como 'Current' um epíteto que, segundo as regras desse mesmo código, nunca poderia ser válido. Não sei se será caso único, mas foi um caso que eu detectei e do qual não tenho dúvidas, embora acredite que existam outras situações, o que não será de todo anormal, face à quantidade de informação com que lida o sr. Kirk. Por outras palavras, é normal que existam erros - e por isso é normal que seja necessária uma perspectiva crítica em relação ao I.F., que não pode ser encarado de forma dogmática.
@ *ento*loma*
Não partilho da tua opinião que o estabelecimento da obra de Fries como o ponto de partida para a nomenclatura dos fungos é um desrespeito pelos anteriores autores, pelas seguintes razões:
1 - Fries foi, antes de mais, um extraordinário sistemático e incorporou no seu trabalho a quase totalidade das publicações micológicas que existiam na sua época (lembro que estavamos no início do século XIX - não existia, obviamente, Internet, nem seria tão fácil como nos dias de hoje ter acesso a todas as obras publicadas). Evidentemente que alguns trabalhos não foram considerados - provavelmente por desconhecimento, o que não é de estranhar pois há obras que só hoje em dia (mais de dois séculos depois) estão a ser analisadas (como o prova a publicação de 'Cantharellus aurora' pelo Kuyper, com base numa obra de 1783).
2 - A razão essencial já foi referida por ti: a necessidade de estabilizar a nomenclatura. Se não fosse assim, assistiriamos a uma mudança permanente (para além de desnecessária e contraproducente) de vários nomes.
3 - Foi sobretudo com Fries que se deu um enorme salto em frente tanto na descrição pormenorizada e exaustiva das espécies como na ilustração técnica (tendo em atenção os aspectos relevantes para a identificação) - basta referir que as ilustrações constantes nos trabalhos de Fries foram supervisionados por ele próprio e não simplesmente atribuídos a um ilustrador que poderia fazer o seu trabalho com total liberdade (e não necessariamente com total rigor científico). Tenho sérias dúvidas que seja possível pegar em muitas das obras pré-friesianas e interpretar correctamente as descrições (muitas vezes sucintas e pouco claras) das espécies que lá constam ou as ilustrações que acompanham essas descrições.
Pedro Claro- Basidiocarpo

- Número de Mensagens: 739
Idade: 36
Data de inscrição: 10/12/2007
Re: A relevância do IndexFungorum na Taxonomia de Macrofungos
Olá Pedro,
Tens razão em tudo o que dizes sobre o Dr. Fries, mas isso não altera em nada o que mencionei previamente. Se existem dados suficientes que indiquem convincentemente que uma espécie já tinha sido descrita, e pura e simplesmente se ignora esse facto, devido ao sancionamento de uma obra, por maior excelência que essa obra possua, não se está a respeitar o trabalho desempenhado nem a prestar o tributo devido a quem de direito! ainda que seja em prol da ciencia!
Não quero com isto retirar qualquer mérito a Elias Magnus Fries.
Tens razão em tudo o que dizes sobre o Dr. Fries, mas isso não altera em nada o que mencionei previamente. Se existem dados suficientes que indiquem convincentemente que uma espécie já tinha sido descrita, e pura e simplesmente se ignora esse facto, devido ao sancionamento de uma obra, por maior excelência que essa obra possua, não se está a respeitar o trabalho desempenhado nem a prestar o tributo devido a quem de direito! ainda que seja em prol da ciencia!
Não quero com isto retirar qualquer mérito a Elias Magnus Fries.
*ento*loma*- Admin

- Número de Mensagens: 119
Data de inscrição: 19/12/2007
Re: A relevância do IndexFungorum na Taxonomia de Macrofungos
A regra é polémica, sem dúvida, e já agora também se aplica ao sancionamento por Lineu e sobretudo por Persoon. Se algum deles cá viesse, se calhar até teria como reacção espontânea dizer «eu não mereço tal». Mas, depois de se lhe explicar a confusão em que têm andado todas as nomenclaturas (em que o bom trabalho de alguns desses pioneiros se dilui num quadro colectivo marcado por uma maioria de trabalhos de má qualidade, que motivaram esta regra do sancionamento), acabariam por perceber e subscrever, mas também ressalvar que não fora intenção de nenhum deles sobrepor-se ao trabalho que os precedeu.*ento*loma* escreveu:Se existem dados suficientes que indiquem convincentemente que uma espécie já tinha sido descrita, e pura e simplesmente se ignora esse facto, devido ao sancionamento de uma obra, por maior excelência que essa obra possua, não se está a respeitar o trabalho desempenhado nem a prestar o tributo devido a quem de direito! ainda que seja em prol da ciencia!
Não quero com isto retirar qualquer mérito a Elias Magnus Fries.
Mas não estão cá, e em todo o caso o que tivessem a dizer seria reverentemente secundário. O que se deve retirar de todo este debate é que, na arte da Sistemática, todos beneficiamos de vermos as coisas com flexibilidade e sermos capazes de abdicar de pré-concepções.
Loco Gato- Basidiocarpo

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Data de inscrição: 20/12/2007

Re: A relevância do IndexFungorum na Taxonomia de Macrofungos
Não foi lapso. Current parece aplicar-se ao nível da espécie (epíteto), mas ao nível de género é correct. Não me perguntem porquê, nem me importo minimamente com isso.Pedro Claro escreveu:Quanto ao Index Fungorum, o termo que consta é, efectivamente, CURRENT NAME e não, como erradamente referi, CORRECT NAME. Foi um lapso meu, motivado provavelmente pela interpretação que fiz, de que "Current name" (ou nome actual) seria o nome globalmente aceite quando, na realidade, nem sempre isso acontece e, por isso, dei um sentido "impositivo" (CORRECT) à designação do epíteto apontado como actual pelo I.F..
Loco Gato- Basidiocarpo

- Número de Mensagens: 112
Data de inscrição: 20/12/2007

Re: A relevância do IndexFungorum na Taxonomia de Macrofungos
Loco Gato escreveu:Não foi lapso. Current parece aplicar-se ao nível da espécie (epíteto), mas ao nível de género é correct. Não me perguntem porquê, nem me importo minimamente com isso.Pedro Claro escreveu:Quanto ao Index Fungorum, o termo que consta é, efectivamente, CURRENT NAME e não, como erradamente referi, CORRECT NAME. Foi um lapso meu, motivado provavelmente pela interpretação que fiz, de que "Current name" (ou nome actual) seria o nome globalmente aceite quando, na realidade, nem sempre isso acontece e, por isso, dei um sentido "impositivo" (CORRECT) à designação do epíteto apontado como actual pelo I.F..
Agora fiquei baralhado...
Pedro Claro- Basidiocarpo

- Número de Mensagens: 739
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Data de inscrição: 10/12/2007
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