Leucogloea compressa - Uma identificação demorada

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Leucogloea compressa - Uma identificação demorada

Mensagem  Lebre em Seg 16 Jan 2012, 21:43

Não sei dizer com precisão qual foi a primeira vez que observei este fungo, algures na primavera anterior. Invariavelmente encontrei-o em troncos de árvores caídas em locais bastante húmidos. Sei que da primeira vez que lhe tirei fotografias fiquei irritado, pois saiu tudo desfocado. A explicação para tal ter acontecido tem que ver com a natureza do fungo: tem uma capa gelatinosa que envolve os corpos frutíferos, como se pode constatar nas fotografias seguintes, a primeira das quais foi obtida no local da observação e a segunda depois de deixar secar a amostra:


Pensei que se tratasse de um mixomiceto e cheguei a colocar uma fotografia num tópico dedicado estes seres (Mixomicetos – V, Espécie 17). Nessa altura escrevi: “Neste caso nem tenho a certeza de se tratar de um mixomiceto, podendo eventualmente ser outra “coisa”. … Não consegui obter nenhum indício sobre o que será.”

Quando tinha um mixomiceto para identificar e recorria às bases de dados que uso para esta classe de fungos tentava encontrar algo de semelhante, sempre sem qualquer sucesso. Também a observação microscópica não correu bem, nunca consegui visualizar qualquer esporo ou os que vi eram tão dispersos que os atribuí (e bem) à contaminação de amostras. Achei, no entanto, curioso que nessas observações havia como que uma espécie de “raminhos” (as hifas) em redor dos quais se aglomeravam uma bolinhas minúsculas (os conídios, como depois concluí). Para alguém com conhecimentos na matéria isto devia ser a trivial “Porta de entrada” no chamado mundo dos “Fungos imperfeitos”, designação dada àqueles fungos com reprodução assexuada, por meio de conídios. Vale a pena ler as passagens seguintes obtidas a partir da Wikipédia:
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ANAMORFO
Anamorfo, ou estádio mitospórico, é a designação dada em Micologia à forma reprodutiva assexual de um fungo. Esta forma, em conjunto com o correspondente teleomorfo (ou estádio meiospórico), forma o holomorfo da espécie. Por não se conhecer a relação entre as diversas formas de muitas das espécies de fungos, incluindo algumas das mais comuns, entre as quais a que causam o oídio, os anamorfos e telemorfos de muitas destas espécies foram descritos como espécies separadas, recebendo nomes binomiais distintos, o que ainda se reflecte na designação agronómica de muitas fitopatologias por eles causadas. Em muitos casos apenas o recurso à análise genética e à biologia molecular permite associar as diversas formas da espécie.

A maior parte dos anamorfos conhecidos foram originalmente colocados no grupo Fungi imperfecti (os Deuteromycetes), um agrupamento de espécies artificialmente criado (isto é sem base filogenética) para acomodar os fungos para os quais se desconhece (ou desconheciam) as formas sexuadas. O Código Internacional de Nomenclatura Botânica permite a manutenção de nomes específicos de anamorfos, atribuindo contudo a designação do respectivo teleomorfo, quando conhecido, ao holomorfo da espécie.

Quando existe mais de uma forma conhecida de anamorfo de uma mesma espécie, ao conjunto aplica-se o nome de sinanamorfo da espécie.


CONÍDIO
Um conídio, é um esporo assexual existente em fungos.[1] Os conídios são por vezes denominados conidiósporos. Também são chamados de mitósporos devido ao processo pelo qual são formados (pelo processo de mitose).[carece de fontes?] Eles representam a forma mais comum de reprodução assexuada dos fungos, e são muito importantes para a dispersão destes organismos na natureza. As células que dão origem aos conídios são denominadas células conidiogênicas, as quais normalmente se localizam na extremidade de hifas especializadas chamadas conidióforos.[1] Os conídios são células haplóides, geneticamente semelhantes aos progenitores, sendo capazes de gerar um novo organismo se encontrarem condições favoráveis.[carece de fontes?]

A reprodução assexual nos Ascomicetes (filo Ascomycota) dá-se através da formação de conídios, que estão localizados na ponta de conidióforos. A análise da morfologia dos conidióforos é utilizada para identificar espécies de fungos.[carece de fontes?]
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Mas, durante mais algum tempo, não me apercebi “desta realidade” e pensei que os esporos ainda não tinham maturado, como por vezes acontece. Ora, há espécies, das quais se conhece apenas a fase anamorfa e, portanto, não se sabe da existência da fase telemorfa. Poderia ser este o caso. Aqui vai uma das fotografias dessas observações microscópicas:



Mais recentemente e também a propósito da identificação de um mixomiceto deparei com uma página onde apareciam fotografias do meu bem conhecido fungo. Procurei mais informação e cheguei à conclusão que seria da espécie Leucogloea compressa, cuja classificação taxonómica é a seguinte:
• Reino: Fungi
• Filo: Basidiomycota
• Classe: Atractiellomycetes
• Ordem: Atractiellales
• Género: Leucogloea
• Espécie: Leucogloea compressa
Uma vez que ele não pertence à classe dos Deuteromycetes isso pressupõe, penso eu, que foi identificada também fase telomorfa deste fungo. No entanto, na informação a que tive acesso não encontrei qualquer referência a isso. Nesta página de “Champignons du Quebec” podem encontrar fotografias e microscopia desta espécie. Também na Página “wisconsinmushrooms” se pode observar um conjunto de fotografias.
Para concluir anexo mais algumas fotografias dos exemplares que fui observando, todos no Parque de Monsanto, e da respectiva microscopia quando disponível.


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