Coprinopsis lagopus

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Coprinopsis lagopus

Mensagem  Lebre em Sab 12 Maio 2012, 23:10

Para mim esta observação corresponde a um daqueles casos em que dizemos para nós próprios: não há possibilidade de ser outra espécie. Por um lado, tenho já algum conhecimento anterior desta espécie de observações realizadas em Sintra e no Parque de Monsanto, tendo-lhe até dedicado um tópico intitulado Coprinopsis lagopus correspondente à primeira observação que fiz desta espécie. Mais recentemente tenho-a observado noutros locais, nomeadamente na zona Oeste, de onde estes exemplares provêm. O Habitat é uma zona que recentemente alberga um eucaliptal mas que em determinadas zonas ainda conserva alguns exemplares de árvores mais comuns noutros tempos, como sobreiros. Há muita madeira enterrada, sobretudo dessas árvores mais antigas, que foram definhando com o tempo.
Para mim este tópico tem duas motivações: A primeira o de registar os caracteres macroscópicos e microscópicos desta espécie, pois estes últimos ficaram mal representados nesse tópico por as amostras já terem secado na altura em que tirei fotografias; a outra motivação está relacionada com um outro tópico que penso apresentar na senda deste e foi por isso que, na parte inicial, dei ênfase ao conhecimento já adquirido sobre esta espécie.
Em vez de descrever os exemplares, chamo atenção para alguns detalhes, que são importantes do ponto de vista da identificação que pode (e deve (?)) ser feita usando a chave acessível em Kees Uljé Coprinus site:
- A existência de um véu com a textura de lã que os carpóforos ostentam na fase inicial, que deixa quase sempre resquícios com o desenvolvimento e que microscópicamente se traduz na existência de cadeias de elementos alongados de paredes mais ou menos finas, qual salsichas, com terminações distintas, de fusiformes a globosas, coloca esta espécie indubitavelmente na secção Lanatuli do género Coprinopsis (e anterior subsecção do mesmo nome do género Coprinus, antes da cisão deste género);
- Dentro da secção Lanatuli (como aliás em qualquer outra) da chave de Uljé a distinção entre as espécies é feita com base em caracteres microscópicos (basídios com 2 ou 4 esporos) e a dimensão (e, por vezes, cor) dos esporos. Para a separação das espécies leva em linha de conta o habitat (basicamente distinguindo espécies crescendo ou não em esterco ou fezes). No caso desta espécie a trajectória é simples:
1. Basídios com 4 esporos,
(cabe aqui dizer que o carácter dos basídios tem sido para mim de difícil observação, pois dada a deliquescência da maior parte das espécies é muito difícil observar, na maior parte dos casos, na lâmina muito para além do esporos e da trama laminar). Neste caso tive a oportunidade de observar os basídios não como resultado da observação da lâmina mas como resultado da observação do estipe onde alguns se conservaram em boas condições);
2. Os elementos do véu cinzentos com paredes finas, os esporos com mais de 10.8 µm de comprimento e menos 8.2 µm de largura,deixa apenas três espécies: C. radiatus, C. krieglsteineri e C. lagopus. A distinção entre elas é feita com base na largura dos esporos,
3. Largura dos esporos no interior do intervalo [6.7, 8.2],
conduz a Coprinopsis lagopus.

Os valores que registei para as dimensões dos esporos foram:
(10.3) 11.3 - 12.9 (13.9) x (6.1) 6.4 - 7.3 (7.9) µm
Q = (1.6) 1.7 - 1.9 (2) ; N = 47
Me = 12.2 x 6.9 µm ; Qe = 1.8.

Todos os outros caracteres que observei e que registei condizem com a descrição da espécie C. lagopus também disponível no site de Uljé.

Fotografias:





Chamo a vossa atenção para o seguinte facto ilustrado neste quadro de fotografias: a última (canto inferior direito) é do himenóforo do exemplar que figura na primeira (canto superior esquerdo) e foi obtida 2 horas depois da primeira, tendo eu voltado ao local precisamente para recolher um exemplar fresco e em melhor estado de conservação com o objectivo de o analisar posteriormente. Isto demonstra bem quão efémeras são algumas das espécies de coprinóides.


Observação do véu (As imagens de baixo têm uma ampliação de 400x, duas vezes e meia a ampliacção das de cima);


Observação da cutícula;


Observação da lâmina;


Basídios;


Observação do estipe.

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Re: Coprinopsis lagopus

Mensagem  Antonio Ruiz em Dom 13 Maio 2012, 07:18

Hola amigo.

Ok, a todo lo dicho.
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Re: Coprinopsis lagopus

Mensagem  Lebre em Ter 15 Maio 2012, 22:19

Gracias, Antonio,
É bom saber que estamos no bom caminho.
Suadações,
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Re: Coprinopsis lagopus

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