Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

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fix2 Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

Mensagem  Polecat em Seg 12 Jan 2015, 20:19

Boas,

Venho aqui partilhar um Pholiota que me deu a volta à cabeça estas últimas semanas. O estudo ainda está numa fase preliminar, com o registo macromorfológico de vários espécimes e um registo micromorfológico "tremido".

Daqui a algumas semanas irei olhar de novo para este cogumelo com melhores microscópios que permitem imagens mais claras e medições confiáveis, então actualizarei este tópico com esses dados. Ainda assim, decidi partilhar já estes dados na esperança que possam surgir comentários ou interesse de vossa parte que ajudem à identificação.

Devo dizer que possuo e tenho utilizado a literatura de Smith&Hesler 1968 (Pholita da América do Norte) e Noordeloos 2011 (Strophariaceae europeias). Depois de várias tentativas, cheguei à conclusão que não encontrei nenhuma descrição na literatura que se encaixasse convincentemente neste Pholiota.

Macroscopicamente, a identificação como Pholiota scamba é mais que satisfatória, encaixa muito bem. Microscopicamente é que a "porca torce o rabo", tudo porque as minhas observações apontam para queilocrisocistídios (pelo menos queilocistídios bem mais amarelos que os pleurocistídios), o que parece ser inconsistente com Pholiota scamba e mais consistente com Pholiota subochracea que macroscopicamente difere bastante daquilo que encontrei. Na eventualidade de ser algo não registado ainda, chamar-se-á Pholiota azoia  Twisted Evil

Mas para já, enquanto não chega a microscopia séria, ficam aqui os dados disponíveis:


ECOLOGIA:6-1-2015. Município de Sesimbra. Gregário em zona de pinhal e eucaliptal. Num trilho, num vale húmido, barrento, saprófito em madeira e agulhas de pinheiro morto, por vezes aparentando ser terrestre. Vegetação imediatamente envolvente à base de silvas, tojo e outra vegetação rasteira.
CHAPÉU: <2,5cm. Convexo-hemisférico a aplanado com idade, ligeiramente umbonado, irregular-ondulado. Pequenas fibrilhas brunescentes (especialmente no centro) em fundo creme pálido por vezes com centro mais amarelo quente-laranja pálido. Margem ligeiramnete incurvada quando jovem com restos visíveis de véu tipo cortina. Pouco viscido a pegajoso quando molhado, a acetinado quando seco.  
HIMÉNIO: Lâminas adnadas ligeiramente colaradas, cor de ocre amarelado a ocre-castanho com idade. Abundantes (~120 incluindo lâminas intermédias).
: <3cm x 0,5cm. Cilindrico, por vezes ligeiramente encurvado, de base mais grossa. Tomentoso (especialmente na base e quando jovem) da base até à zona anelar, concolor a castanho-quente (pela deposição de esporos), ápice creme-beige.
CARNE: Creme amarelada. Cheiro perfumado, farináceo, agradável. Sabor fungíco, férrico.
ESPORADA: castanho claro (pouca deposição)
MICROSCOPIA: Esporos ovóides a elipsóidais, por vezes quase cilindricos de uma cor amarelo-verde claro sub-hialino em KOH4%. Ornamentação presente (mas para já não resolvida), parede grossa. Basídios tetraspóricos, subhialinos, esverdeados-amarelados em KOH4%, de conteúdo visível/heterogénio, principalmente em azul de toluidina. Pleurocistídios como leptocistídios, claviformes a utriformes, ramente proeminentes ou de dimensões maiores que os basídios, sub-hialinos de um verde-amarelo claro em KOH4%. Aresta das lâminas aparentemente estéreis, de uma coloração geral significativamente mais amarelada que a pleura. Queilocistídios clafiformes a utriformes, de leptocistídios hialinos a crisocistídios (ou de coloração claramente mais amarela que pleurocistídios em KOH), de cor azul escuro em azul de toluidina. Trama himenial paralela. Pileipelis de aparente ixocutis filamentosa com hifas estreitas, subhialinas, inseridas numa camada amarela e finalmente castanha. Ansas de anastomose presentes.  














EDITADO: (2ª Colecção):








Microscopia preliminar:
PLEURA
Basidios tetraespóricos


Pleurocistidios de dimensões e coloração semelhante a basidios


Raros pleurocistidios proeminentes


Trama himenial paralela


ARESTAS

à direita, repetidamente mais "amarelas" que pleura




Pormenor de queilocistidios de cor amarelada


Mas pelo menos alguns queiloleptocistidios ou de menor coloração amarela.


Esfregaço da aresta à caça de queilocrisocistidios


Esta observação "tramou-me" a identificação da espécie como Pholiota scamba, parece-me crisocistidios, concordam?


Esporos




Pileipelis








Abraços


Última edição por Polecat em Seg 09 Fev 2015, 00:15, editado 1 vez(es)

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fix2 Pholiota gummosa var. azoia

Mensagem  Polecat em Seg 02 Fev 2015, 11:41

Com mais alguns resultados da microscopia e melhor análise bibliográfica, a identificação desta espécie deu uma volta interessante.

Acima de tudo, há que mencionar a dificuldade em identificar espécies neste género. A pouca clareza e unanimidade na definição de conceitos como "crisocistidios" ou a "presença ou ausência de pleurocistidios", dificultam em muito a descrição de novas ocorrências e utilização de diferentes chaves existentes. Além disso, tanto macro como microscopicamente, muitas espécies de Pholiota são extremamente parecidas, e pior, aparentemente variáveis! Pois é, para a mesma espécie, diferentes autores com diferentes descrições demonstram uma grande discrepância nas suas observações.

Por exemplo, Pholiota gummosa é descrito por por Noordeloos et al. como tendo pleurocistídios abundantes, amarelados e com o dobro das dimensões dos basidios. Já Smith&Hesler descrevem os pleurocistídios da mesma espécie como inexistentes a muito iguais aos basidíos e com queilocistídios menores do que em Noordeloos et al.

O que me leva a sugerir para já, Pholiota gummosa é a combinação de diferentes caracteres morfológicos e ecológicos. O hábitat lenhícola e rasteiro, hábito de tonalidades claras do carpóforo juntamente com o tamanho e forma das estruturas microscopicas.

Outras descrições que me chamaram a atenção foram as espécies chegadas de P. tuberculosa; P. curtipes; P. lucifera e afins. A comparação fotográfica, leva-me a acreditar mais em P. gummosa e a desconfiar de Pholiota s. lat. tuberculosa, principalmente pelo habitat puramente lenhícola e hábito de tons amarelo-vivo deste último grupo.

Acabei também por descartar Pholiota scamba pela exagerada dimensão dos esporos e outros caracteres microscopicos muito pouco coincidentes. Ainda que as dimensões do carpóforo encaixem melhor.

Em baixo, uma descrição actualizada da microscopia juntamente com algumas fotos.

ESPOROS:
              4 [6.8 ; 6.9] 11 x 2.3 [4.3 ; 4.4] 7.7 µm
             Q = 1.0 [1.57 ; 1.60] 2.9 ; N = 970 ; C = 95%
              Me = 6.9 x 4.3 µm ; Qe = 1.6
              Parede <0.35 µm
              Poro germinativo <0.4 µm

Selecção de esporos representativos. Objectiva de imersão 100x.


BASÍDIOS:
              18.4 [20.6 ; 21.8] 23.9 x 4.8 [6.1 ; 6.8] 8.2 µm
              Q = 2.4 [3.1 ; 3.5] 4.2 ; N = 21 ; C = 95%
              Me = 21.2 x 6.5 µm ; Qe = 3.3
              Parede fina; conteúdo subhialino esverdeado-azulado em KOH8% a amarelado em KOH4%; tetraspóricos; só observados na pleura.

Selecção de basídios representativos. Objectiva de imersão 100x.


PLEUROCISTÍDIOS:
                         Salvo em raríssimas excepções, de dimensões e aparência muito similar a basídios, muitas vezes indistintos de basidios em maturação, ligeiramente menores e mais claviformes. Observação consistente com algumas definições de "ausência pleurocistídios" ou "pseudo-pleurocistídios".

Esfreganço. Basídios versus (pseudo)pleurocistídios. Objectiva 60x  Em KOH4%.

Corte. Basídios versus (pseudo)pleurocistídios. Objectiva 60x  Em KOH4%.

Esfreganço. Basídios versus (pseudo)pleurocistídios. Objectiva de imersão 100x. Em KOH8%.


QUEILOCISTÍDIOS:
                         23.1 [27.9 ; 35.7] 47 x 2.1 [3.7 ; 4.4] 5 µm (largura medida no pescoço, no ápice/cabeça as medidas vão até 8 µm).
                         Q = 4.6 [7.1 ; 8.9] 12 ; N = 18 ; C = 95%
                         Me = 31.8 x 4.1 µm ; Qe = 8
                         De coloração hialina a amarela (não consistente com a definição de "crisocistídios verdadeiros"). Em KOH8%.
                         Claviformes a subcilindricos, com ápice mais largo (subcapitado).

Esfreganço. Selecção de queilocistídios amarelos. Objectiva de imersão 100x. Em KOH8%.

Corte. Aresta com queilocistídios de diferentes dimensões e colorações visíveis. Objectiva 40x em KOH8%.


PILEIPELIS:
              Hifas subhialinas a amareladas de 2-5 µm de largura. Em KOH8%. Trama com hifas com 3-9 µm de largura; algum conteúdo colloidal hialino; raras hifas laranja-vivo ou laranja-escuro; com 20-50 µm de comprimento. Em KOH8%.
             
Corte. Objectiva 4x em KOH8%.

Corte. Objectiva 40x em KOH8%


TRAMA LAMELAR:
         Trama himenial com hifas de 2-5 µm de largura; paralelas, de conteúdo amarelo com algumas hifas de laranja-vivo ou laranja-escuro. Subhiménio mais claro, sub-hialino. Em KOH8%.



A maior discrepância entre a minha descrição e a literatura consultada, tem a ver com a coloração acastanhada dos pleurocistidios (ou pseudopleurocistidios) a com a coloração puramente hialina-incolor dos queilocistidios. Características contrárias às minhas observações.

Ainda assim, dada a macromorfologia e habitat semelhantes e dada a aparente variação microscopica entre diferentes populações de Pholiota gummosa, é com alguma confiança que identifico esta espécie como Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer. No caso de ser uma população ainda não descrita, tomo a liberdade de sugerir Pholiota gummosa var. azoia, tendo como principais características 1)a ausência de pleurocistídios ocreáceos e bem desenvolvidos; 2) Queilocistídios hialinos a amarelos; 3) Hábito do carpóforo de reduzidas dimensões.



Abraços

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fix2 Re: Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

Mensagem  Zamanita em Sab 07 Fev 2015, 22:16

Bravo Polecat. Parabéns pelo estudo e sistematização. E obrigado pela partilha! cheers

Relativamente à observação dos crisocistídios no "Manuale de Microscopia dei Funghi" de Teresa Basso é referido que se coloram rapida e persistentemente também com azul de algodão. Pode ser uma forma de confirmares se são realmente crisocistídios verdadeiros, uma vez que o azul se destacaria melhor da coloração hialina.

Quanto à determinação, concordo com as tuas conclusões.
Em outubro encontrei estas Pholiota que aqui coloco e na altura classifiquei-as como Pholiota cf. gummosa. Tenho exemplares secos para comprovar a micro. Quando o fizer deixo aqui feedback.



Passo-te a descrição dos "Suiços" para teres mais um termo de comparação.





abraço

Zamanita
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fix2 Re: Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

Mensagem  Polecat em Seg 09 Fev 2015, 01:19

Obrigado pela resposta, Zamanita Wink

Obrigado também pela dica sobre o "Manuale de Microscopia dei Funghi". Têm bom ar esses volumes! Tens os livros ou já lhes deste uma vista de olhos? Pergunto-me se valerá a pena o investimento...

Mas nem por acaso, já tinha lido sobre o "azul de algodão" e hoje andei o dia todo a tentar arranjar reagentes para prepará-lo. Não consegui arranjar o fenol isolado/puro mas de resto encontrei tudo e acabei por preparar um "azul de algodão" sem fenol (não será crítico para os efeitos de coloração). Depois fui para o microscópio e andei de volta desta colecção e de outra que tinha secado mas não tinha a certeza se pertencia à mesma espécie, concluí que sim, sempre pertencia. Como tal, por motivos práticos, adiciono na primeira mensagem mais algumas fotografias desta mesma espécie.


Depois de algumas horas de trabalho, cheguei a casa e apercebi-me que não tinha salvo as imagens todas, especialmente as de pormenor Suspect

Realmente o contraste com os tons hialinos é muito maior com este reagente e os conteúdos dos (pseudo)pleurocistídios e dos basídios vêem-se muito melhor. Ainda assim não sei se haverá alguma coisa que possa modificar na minha descrição acima, ainda que os cistídios apresentem azuis óbvios, os basídios também o fazem. Talvez, nalgumas vezes tenha visto/fotografado cistídios de um azul bem mais forte e escuro, mas continuei sem ver cistídios proeminentes e de dimensões significativamente maiores que os basídios. Isto contrasta também com a descrição dos "suiços". Porém, é curiosa a precisão com que os outros caractéres batem certo também nesta bibliografia!

Quanto ao teu achado, pela fotografia e pelo que tenho lido sobre Pholiota gummosa parece-me que o será provavelmente. Se realmente as nossas colecções pertencerem à mesma espécie, é interessante verificar a variabilidade do hábito. A tua foto coincide com muito do que tenho visto pela internet fora, i.e., um carpóforo de maiores dimensões, mais víscido/gelatinoso, mais cespitoso/fasciculado. Por outro lado, também parecem haver registos pela net de carpóforos mais "atarracados", de píleo mais seco/fibrilhoso e mais solitários a gregários, tal como na minha colecção.

Para já, ficam as fotos que me lembrei de salvar hoje, mais tarde volto ao micro e faço novas imagens de pormenor.

Queilocistídios em azul de algodão. Objectiva 40x.

Basídios e cistídios em azul de algodão. Objectiva 40x.

Ausência de cistídios proeminentes. Corte da lâmina em azul de algodão. Objectiva 40x.


Ausência de cistídios proeminentes. Corte da lâmina em azul de algodão + KOH8%. Objectiva 20x.


Ausência de cistídios proeminentes. Corte da lâmina em azul de algodão + KOH8%. Objectiva 100x.



Espalhados escassa e aleatoriamente pela pleura, estruturas que parecem cistídios significativamente mais azuis e brilhantes que as restantes estruturas. Azul de algodão + KOH8%. Objectiva 40x.

Objectiva 100x. Note-se algumas das referidas estruturas na parte superior da imagem.

Estruturas de paredes hialinas com conteúdos de azul vivo, forte. (serão cistídios, ou basídios...ainda não consegui decifrar, todos os basídios que identifiquei eram de conteúdo azul, mas nunca tão escuro-vivo)

Abraços!

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fix2 Re: Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

Mensagem  Polecat em Qui 12 Fev 2015, 14:50

Pois é. Parece que terei de corrigir as minhas primeiras observações quanto à ausência de pleurocrisocistídios Razz

Mantenho a observação de que os pleurocistídios se assemelham bastante em dimensão e forma aos basídios, especialmente aos basídios imaturos. Mas quanto ao conteúdo, descrito como hialino (heterogéneo, a amarelado, esverdeado ou azulado em KOH), tenho de reconhecer que depois de melhor observar novos e finos cortes em azul de algodão, altero a minha descrição para presença de pleurocrisocistídios.

Apesar de todo o himénio apresentar uma coloração azul bebé-azul celeste, existem estruturas relativamente frequentes que aparentam uma coloração mais escura de um azul real-azul puro. Quando magnificando sobre estas estruturas, o conteúdo heterogéneo revela-se (na minha opnião) verdadeiramente refringente ou refractivo, evidenciando "verdadeiros crisocistídios".

E porque às vezes imagens valem mais que mil palavras:


Nem sempre são visíveis estas estruturas, daí não as considero abundantes (como Noordeloos 2011). Corte transversal da lâmina rehidratado em KOH8% e montado em azul de algodão. Objectiva 40x.

Contúdo, existem zonas onde estas estruturas são relativamente frequentes, e acima de tudo óbvias pela tonalidade viva e conteúdo. Objectiva 100% em azul de algodão, rehidratado em KOH8%.              


Selecção de crisocistídios ilustradores e respectivo esboço.    


Já estou mais satisfeito quanto ao tipo e conteúdo de pleurocistídios, encaixa melhor com alguma literatura. Quanto às dimensões, talvez esta população encaixe nalguma forma ou variedade de P. gummosa já descrita com pleurocistídios de pequenas dimensões. Mas para já, ainda não consegui consultar nada muito específico sobre o tema... Gostava de olhar para a obra de Holec, mas não consigo encontrar isso pela net. Dicas são bem vidas Smile

Abraço


Última edição por Polecat em Qui 12 Fev 2015, 16:04, editado 2 vez(es)

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fix2 Re: Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

Mensagem  Polecat em Qui 12 Fev 2015, 15:22

Pleurocrisocístidio com 3 planos focais combinados numa imagem:




Outro pleurocrisocístidio com 4 planos focais combinados numa imagem:

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fix2 Re: Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

Mensagem  Lebre em Qui 12 Fev 2015, 17:50

Caro Polecat,
No endereço
https://www.researchgate.net/profile/Jan_Holec/publications
pode encontrar dois artigos de Jan Holec sobre Pholiota. Não sei se serão relevantes para este tópico. Só conheço o artigo dele sobre Gymnopilus.
Saudações,
Lebre

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fix2 Re: Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

Mensagem  Zamanita em Sex 13 Fev 2015, 01:34

Boa Polecat! óptimo exercício este post Wink

Estes crisos mostram-se muito mais convincentes. Wink
O tamanho, tendo em conta que apenas se distingue bem o conteúdo refringente, até pode não estar muito abaixo do descrito para P.gummosa...

Quanto aos manuais da Teresa Basso, como parti quase do zero na microscopia, parecem-me muito bem e não estou arrependido do investimento mas esta questão é sempre relativa...
São dois volumes, o primeiro é dedicado a técnicas gerais de microscopia, reagentes e corantes, aos caracteres morfológicos e um capítulo de elementos estatísticos aplicados à micologia (que ainda não vi...). O segundo volume trata as famílias e géneros mais comuns de Basidiomycetes (18 famílias e 103 géneros) com informação sobre o aspecto geral macroscópico, características micro, separação face a géneros próximos, reagentes a utilizar, etc...
De resto tem boas fotos, desenhos e descrições. Não sei o suficiente para uma crítica mais aprofundada...
Para já, posso só referir que peca por não abordar Ascomycetes... tenho ideia de ler nalgum lado que está previsto um 3º volume com os Ascomycetes.

Se quiseres posso emprestar-tos quando cá vieres para avaliares por ti...

Abraço

Zamanita
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fix2 Re: Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

Mensagem  Polecat em Sex 13 Fev 2015, 15:03

Olá olá!

Obrigado pelas respostas, Lebre e Zamanita.

Lebre escreveu:Caro Polecat,
No endereço
https://www.researchgate.net/profile/Jan_Holec/publications
pode encontrar dois artigos de Jan Holec sobre Pholiota. Não sei se serão relevantes para este tópico. Só conheço o artigo dele sobre Gymnopilus.
Obrigado pela ajuda. O documento que me dava jeito era mesmo o "The genus Pholiota in central and western Europe" de 2001. Não conheço bem o conteúdo mas acredito ser o trabalho mais completo e adequado à realidade deste tópico.

No entanto, boa parte do trabalho de Noordeloos em Strophariaceae de 2011 (que possuo) é baseado no trabalho de Holec. Imagino que muitos conteúdos sejam similares, mas não sei até que ponto.

Zamanita escreveu:Quanto aos manuais da Teresa Basso, como parti quase do zero na microscopia, parecem-me muito bem e não estou arrependido do investimento mas esta questão é sempre relativa...
São dois volumes, o primeiro é dedicado a técnicas gerais de microscopia, reagentes e corantes, aos caracteres morfológicos e um capítulo de elementos estatísticos aplicados à micologia (que ainda não vi...). O segundo volume trata as famílias e géneros mais comuns de Basidiomycetes (18 famílias e 103 géneros) com informação sobre o aspecto geral macroscópico, características micro, separação face a géneros próximos, reagentes a utilizar, etc...
De resto tem boas fotos, desenhos e descrições. Não sei o suficiente para uma crítica mais aprofundada...
Para já, posso só referir que peca por não abordar Ascomycetes... tenho ideia de ler nalgum lado que está previsto um 3º volume com os Ascomycetes.

Se quiseres posso emprestar-tos quando cá vieres para avaliares por ti...
Obrigado pela informação! Quando aí estiver e nos reencontrármos, dou de certeza uma vista de olhos Wink

Zamanita escreveu:Estes crisos mostram-se muito mais convincentes.  Wink
O tamanho, tendo em conta que apenas se distingue bem o conteúdo refringente, até pode não estar muito abaixo do descrito para P.gummosa...
É verdade Zamanita, concordo. Aliás, já me deu impressão, até por algumas das últimas imagens, de ver desses cistídios com comprimentos ≥20µm. Segundo Noordeloos, possivelmente baseado em Holec, a variedade rufobrunnea apresenta pleurocistidios de menor dimensão (20-50 x 7-15 µm) e com um bico, versus pleurocistídios maiores na variedade gummosa.

var. rufobrunnea: A dar mais força à possibilidade Pholiota gummosa var. rufobrunnea há o porte ligeiramente menor, o habitat em Pinus pinea e o chapéu mais seco fibrilhoso versus habitat em latifólios e chapéu mais gelatinoso/viscido na variedade gummosa. Tudo parece encaixar como uma luva na variedade rufobrunnea. Mas nem por isso.

var. gummosa: Os pontos a favor da variedade gummosa existem e são: dimensões mais coincidentes dos esporos; dimensões mais coincidentes dos basídios; o facto de ser muito mais comum, especialmente em solos barrentos e calcários; as tonalidades claras, por vezes quase brancas do chapéu, quase sempre observadas nos meus exemplares.

(proposta)var. azoia: Porte em média ligeiramente menor que ambas as variedades descritas; tonalidades esverdeadas no pé de alguns exemplares (não incluído na descrição por não ter a certeza se é de origem ambiental); queilocistídios de coloração homogénea amarela evidente em KOH; Cheiro claramente agradável, perfumado a farináceo; aparente transição entre as duas variedades descritas.

Não faço ideia como se passa daqui. Talvez enviando um mail informando os académicos potencialmente interessados e conservar os espécimes em herbário... Rolling Eyes

Deixo-vos algumas páginas digitalizadas desta literatura. Talvez vos possa vir a ser útil também.
Abraços

Pholiota gummosa var gummosa:


Pholiota gummosa var rufobrunnea:

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fix2 Re: Pholiota aff. gummosa (Lasch) Singer

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